29.6.09

reproduzido


Honduras: Prepara-se Golpe de Estado




Diante da comunidade nacional e internacional, o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras, COPINH, denuncia a intenção golpista perpetrada na noite de 24 de junho 2009 contra o governo constitucional de Manuel Zelaya Rosales e o povo hondurenho e as suas mais importantes aspirações. Este ato é uma reação desesperada da direita e seus aliados para frear a vontade popular de buscar vias democráticas para a transformação nacional.


A direita reacionária tentou freneticamente parar a Consulta Nacional a ser realizada em 28 junho deste ano e onde se perguntará à sociedade hondurenha se esta concorda em se instalar uma Quarta Urna nas eleições gerais de novembro para convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, com vistas à elaboração de uma nova Constituição.


Esta ofensiva golpista foi planejada e executada de maneira articulada entre os fascistas, o Congresso Nacional, a mídia e seus proprietários, o Ministério Público, os empresários mais poderosos do país e as Forças Armadas, que têm atuado em franco desacato às decisões do poder executivo; por isso denunciamos que o exército tem assumido um papel semelhante ao dos anos oitenta, quando servia de instrumento de repressão e de desestabilização. Nesta campanha, um ato de agressão contra o povo hondurenho, setores conservadores se juntaram às fileiras de igrejas evangélicas e católicas, que têm negociado, encorajado e justificado os atos de conotação golpista.


Também denunciamos a interferência e a participação do governo dos EUA e seu embaixador em Honduras. Alertado de antemão dos fatos aqui denunciados, abandonou o país e chamou os dirigentes do Banco Mundial, FMI e outras instituições em torno do governo estadunidense a também abandonarem o país, demonstrando, assim, a sua conivência com as forças golpistas.


Chamamos as bases do COPINH hondurenho e o povo em geral a se mobilizar em suas comunidades, aldeias ou cidades, especialmente em Tegucigalpa, para expressar seu repúdio e indignação. Alertamos para que não se deixem intimidar pela campanha midiática terrorista desencadeada contra a vontade e expressão do povo e seu direito de pensar e querer um novo país, com justiça e eqüidade.


Fazemos um apelo à comunidade internacional a manifestar-se contra esta agressão contra o povo hondurenho e expressar sua solidariedade e apoio para que não violem os direitos humanos do povo hondurenho.

Chamamos a intensificar a luta organizada para instalar a Assembléia Nacional Constituinte Democrática e Popular, agora, neste momento histórico de nossa pátria.


Finalmente, o COPINH reconhece como único Presidente Constitucional da República a Manuel Zelaya Rosales. Por isso, rejeitamos qualquer "substituto" imposto pelos poderes oligárquicos e imperialistas.


Com a força ancestral de Iselaca, Lempira e Etempica se levantam nossas vozes de vida, justiça, dignidade, liberdade e paz.


Cidade de La Esperanza, Intibucá, 24 de junho de 2009

Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras – COPINH
Para opinar, entre como "anônimo" que não paga nada

inside

10.3.09

atofolha


pois então houve o ato contra a folha de são paulo, no sábado 7 de março.
estávamos em maioria os bloggers, também os jornalistas, principalmente ambos.
os perseguidos pela ditadura compareceram, com seus cartazes com imagens dos desaparecidos e mortos pelo governo. foram eles que mais falaram revezadamente ao microfone emprestado pelo sindicato dos bancários (devidamente representado por seu representante william, uniformizado de cut, que também teve sua vez no palanque), ouvindo-se ainda as falas de representantes de movimentos, dando os ares de suas graças.
ufa, contei quase tudo em uma frase só.
mas é que foi mais ou menos assim mesmo, de uma vez só se iniciou o ato e se acabou com ele (durou das 10h às 12h30). muito por receio do responsável pela ong 'movimento dos sem mídia', responsável pela reserva do espaço público para o ato.vida
pois não fosse a presença das viaturas da polícia militar e da cet, seríamos apenas 300 pessoas vagando em direção do terminal princesa isabel. eles não nos deixaram desistir, tínhamos de prosseguir com o ato. afinal, já havíamos reservado a rua para isso...
das falas ouvidas ali, tenho de informar quem l6e esta coluna que as duas melhores foram a do camarada ivan, cuja íntegra não está disponível mas que tem partes anotadas aqui.
a outra melhor fala foi da luana bonone, diretora de comunicação (ou coisa parecida) da une, união nacional dos estudantes. jovem (20 e ?) reconheceu-se como tal, falou sobre a ignorância dos crimes da ditadura para sua geração e, cereja do bolo, finalizou o discurso (já sob aplausos) aproveitando para saudar o dia da mulher e criticar a igreja católica pela obtusa excomunhão dos responsáveis pelo aborto da gravidez da menina de 9 anos.
ah! música para meus ouvidos! 'não estamos sós!', pensei na hora, há vida inteligente neste bolo de democratas cristãos, neste ato dominado por falas católicas (padre lancelotti estava lá). por esse motivo, o posto de 2a. melhor fala do ato vai para a representante da une.
sobre a folha, o de sempre. soltou uma nota reiterando o que havia dito e 'desculpando-se pelo mau jeito'. de mídia corporativa, apenas a band tv apareceu (tardiamente, mas foi. se deu a notícia não encontrei em lugar nenhum). além dela, a tv brasil, nova de guerra, e algumas personalidades do jornalismo, inclusive o azenha, que filmou tudo, e capturou o caso dos irmãos goianos que viajaram 14 horas para se juntar a nós. e aqueles que ficaram com preguiça de dizer o que pensam, como ficam?
de minha parte, dada a falta de índio no local, saturado de macacos velhos conhecidos de outros carnavais, fui levar minha panfletagem para o metrô, obtendo relativo sucesso (não ser preso nem molestado pelos camisas negras já é vitória).

saludos!


Para opinar, entre como "anônimo" que não paga nada

inside

6.3.09

ato contra a folha de são paulo: sábado, 7/3, às 10h



este blog (no caso, eu mesmo) apóia o ato em repúdio ao editorial de 17 de fevereiro da folha de são paulo, no qual seu conselho editorial afrontou nossa memória e ofendeu nossas consciências ao expor publicamente e com veículo privilegiado de informação o seu ideário autoritário e desumano de apologia à ditadura militar de 1964-1985.

junto com outros seres vivos e pensantes desta cidade, convocamos a união em frente ao edifício do jornal folha de são paulo, na alameda barão de limeira, neste sábado 7.3 às 10h, para que eles saibam quem somos.

vamos todos ao ato!
assinem a petição em defesa de fábio konder comparato e maria victória de mesquita benevides e em protesto contra a injúria!
participem do cancelamento de assinaturas em massa!


Leia abaixo o Manifesto dos Sem-Mídia, redigido por Eduardo Guimarães, presidente desta ONG. O documento será lido durante o ato em repúdio ao editorial da Folha de São Paulo no dia 07/03/2009, na Barão de Limeira, Centro, São Paulo.





-----------------------------------------------------------




Movimento dos Sem Mídia

Pela Justiça e pela Paz Social no Brasil

Reproduzido de email enviado com fonte do Cidadania.com




A Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia – MSM, entidade de direito privado constituída juridicamente em 13 de outubro de 2007, chamou a si a responsabilidade de exortar a sociedade brasileira a repudiar a perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada recentemente por editorial do jornal Folha de São Paulo, texto que relativizou a gravidade de crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, período durante o qual a Nação brasileira sofreu usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional que, por seu turno, gerou aos brasileiros conseqüências nefandas tais como censura à liberdade de pensamento e de expressão, prisões arbitrárias e crimes de tortura, de estupro e de morte, atos de terror que destruíram as vidas de milhões de brasileiros, muitos dos quais sobreviveram àquele terror e, assim, carregam até hoje seqüelas daquele período de trevas.




No âmbito desse repúdio, cumpre à nossa entidade tornar públicos os pontos daquele texto jornalístico que julgamos perniciosos e ofensivos às vítimas que tombaram e às que sobreviveram àquele regime de força.




O editorial do jornal Folha de São Paulo intitulado “Limites a Chávez” foi publicado em 17 de fevereiro deste ano. O veículo de comunicação exerceu um direito óbvio e que não se questiona, o direito de opinar. Criticar o resultado do plebiscito recente na Venezuela ou emitir qualquer outra opinião, portanto, jamais estimularia nossa Organização a protestar de forma tão solene e veemente se não fosse a tentativa de revisão histórica que afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido “brando”, pois tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso “ditabranda”, corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura.




Em poucas palavras, a Folha de São Paulo atentou contra as instituições democráticas brasileiras na forma de condescendência com um regime que praticou os crimes supra mencionados. Além disso, o mesmo texto criou teorias novas, como se verá em trecho no qual reside todo seu veneno.




Disse a Folha de São Paulo: “As chamadas 'ditabrandas' – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.




O perigo e a afronta residem no eufemismo. Com efeito, o diabo está nos detalhes. Diga-se essa barbaridade de “acesso controlado à Justiça” aos que ficaram pelo caminho da máquina opressora do Estado brasileiro de então, aos que sofreram tudo que foi acima enumerado. Diga-se a eles que tiveram acesso “controlado” para buscarem reparação pelas violências que sofreram e das quais há provas que, no dia incerto em que a Nação decidir higienizar seu passado, serão mais do que suficientes para condenar os criminosos, muitos dos quais ainda caminham livremente por essa mesma Nação. Achem um só que tenha encontrado guarida e reparação na Justiça, à época, pelas violências que sofreu. E mais: diga-se isso aos que não sobreviveram à sanha assassina daquele Estado ditatorial.




No conceito de nossa Organização, conceito este amparado no melhor Direito Universal, o que fez o jornal em questão foi dizer “brandos” aqueles crimes, abrindo espaço para a proliferação de mentalidades que ainda defendem publicamente métodos subumanos de “controle” da Cidadania e das próprias vidas dos cidadãos.




Dizem os defensores da usurpação do Estado Democrático de Direito que ocorreu naquele período obscuro de nossa história que havia então uma “guerra” no Brasil. Uma guerra em que tantos jovens idealistas, muitas vezes pouco mais do que imberbes, sucumbiram defendendo a Constituição, por sua vez violentada pelos desejos de poucos, que estupraram o desejo da maioria que delegou o Poder a um governo constitucional que a ditadura derrubou por meio de golpe de Estado.




O Brasil daquele 1964 tinha um governo eleito pelo voto. Não foi destituído por um processo democrático que se valeu dos mecanismos constitucionais que existiam e que poderiam ser usados se os que se opunham àquele governo acreditassem que tinham representatividade popular para fazer tais mecanismos prevalecerem. Não. Por não estarem amparados pela maioria dos brasileiros, os usurpadores do Poder de Estado legalmente constituído em eleições livres e democráticas trataram de usar a violência, a sedição e a ilegalidade para fazerem prevalecer suas visões, desejos e interesses minoritários, impondo-os sobre uma maioria que mais tarde seria amordaçada e ameaçada, de forma que não pudesse contestar a ruptura do Estado de Direito.




Equiparar o Estado àqueles que os defensores do regime de exceção diziam ser “terroristas”, era, é e sempre será uma aberração jurídica, para economizar palavras. Não cabe no conceito de democracia, de Estado de Direito, a hipótese de agentes do Estado imporem suplícios físicos desumanos e criminosos àqueles dos quais desconfiavam de que não compartilhavam suas idéias totalitárias.




O que torna mais dramática essa revisão afrontosa daquele período da história é que o jornal Folha de São Paulo não se contentou só com ela. Diante dos protestos de dois dos expoentes mais respeitados da intelectualidade brasileira tanto no Brasil quanto no exterior, a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Konder Comparato, o jornal tratou de insultá-los de forma virulenta, qualificando-os como “cínicos e mentirosos”, claramente tripudiando da indignação dos justos ante absurdo tão rematado quanto o acima descrito.




Nem as poucas opiniões contrárias que o jornal permitiu que fossem vistas em suas páginas opinativas, sempre de forma tão “controlada” quanto afirmou antes que fazia a sua “ditabranda”, puderam minorar a dor dos sobreviventes dos Anos de Chumbo, e tampouco fizeram a justiça necessária à memória das vítimas fatais da ditadura cruel que vigeu naquele período triste da história deste País.




Tanta injustiça, desrespeito, deboche e ameaça às instituições democráticas, porém, encontra “explicação” quando se analisa o papel exercido pelo jornal contra o qual protestamos durante boa parte do tempo em que a ditadura militar oprimiu esta Nação.




Em obra literária de autoria de um colaborador desse meio de comunicação, do jornalista Elio Gaspari, intitulada “A Ditadura Escancarada”, figura acusação ao jornal Folha de São Paulo que este jamais rebateu de forma adequada e pública, a acusação de que cedeu veículos à sua “ditabranda” para o transporte de presos, muitos dos quais poderiam estar sendo levados para a morte.




Mas é em editorial do jornal Folha de São Paulo publicado em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura, que fica provado o colaboracionismo de um com a outra. Diz aquele editorial pretérito da Folha tão nefasto quanto o mais recente:




“Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.




Apesar desse documento histórico com dia, mês e ano, e que pode ser encontrado nos arquivos do jornal Folha de São Paulo, apesar desse documento que mostra um lado do jornal que ele teima em não reconhecer e que certamente não quer ver conhecido por seu público atual por ter vergonha de seu passado, sua alegação contemporânea é a de que “combateu” a ditadura que aquele editorial, assinado por seu proprietário de então, qualificava como “séria, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”.




Não se consegue entender como a Folha de São Paulo, então, media o “apoio popular” à ditadura, pois não havia eleições livres ou mesmo pesquisas sobre a popularidade dos ditadores. Era, pois, uma invenção do jornal, tão mentirosa quanto a de que a ditadura estaria “levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”. Invenção mentirosa porque, à luz do conhecimento histórico daquele período, o que se sabe é que o que gerou foi concentração de renda, ou seja, empobrecimento dos mais pobres e enriquecimento dos mais ricos.

No dia em que o editorial profano mais recente foi lido pelos Sem Mídia, o que nos veio às mentes foram as palavras imortais do ativista negro norte-americano doutor Martin Luther King que pregaram, há tantas décadas, a conduta dos democratas diante dos violadores da democracia: “O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”. E é por isso que estamos aqui hoje, porque nossa Organização não aceita e não ficará inerte assistindo os defensores ardorosos da ditadura de ontem tentarem vender a mentira de que ela foi menos do que assassina, imoral e terrivelmente dura, tendo sido tudo, menos “branda”.







São Paulo, 7 de março de 2009







Eduardo Guimarães




Presidente

------------------------------------------------------------

Para opinar, entre como "anônimo" que não paga nada

inside

15.11.08

o que quer dizer essa crise?

por rodrigo sanfelice

a meu ver,
ela é o reflexo de um novo regime de acumulação, baseado na financeirização, em justaposição ao modelo de acumulação fordista.

esse novo tipo de capital pressupõe uma nova forma do capital, cada vez mais fictício.

explique-se: trata-se de um capital que circula sem a mediação da produção, sem as relações de troca e venda de mercadorias.

daí uma certa autonomia relativa do capital, dada a dinâmica dos juros: a avaliação das empresa, suas ações, hoje é dada pelo valor dos seus ativos mais a taxa média de lucro, que é o capital portador de juro.

portanto, o valor acionário de uma empresa supera o seu valor “REAL”.

o desenvolvimento desse modelo capitalista se deu entre as décadas de 70 e 80 do século passado, e foi um novo bretton woods. nesse último final de semana, líderes do g20 reunidos em s.paulo buscaram as tratativas de novos marcos regulatórios para a economia internacional. o que me parece um tanto paradoxal, pois a força motriz desse sistema é exatamente a mundialização financeira global.

retomando: na década de 80, entram em cena novos atores, beneficiários deste novo sistema, que são os fundos institucionais, nomeadamente os fundos de pensão, os fundos de investimento, a indústria de seguros e os fundos hedge, que são a salvaguarda dos capitalistas ante a turbulência global, posto que as moedas nacionais flutuam muito.

tudo isso baseado em complexos sistemas de tecnologia da informação que aliam bancos e indústrias nessa nova forma de capitalismo financeiro e que vem a ser, sem dúvidas, uma forma do capital imperialista.

em sua gênese, sobrepondo o capital financeiro especulativo ao produtivo, altera o dia-a-dia das empresas e também a relação de classes, como veremos adiante.

a essa nova etapa do desenvolvimento capitalista correspondem a institucionalidade de cada empresa a fim de garantir sua produção industrial, a valorização do capital financeiro e sua acumulação parasitária, fetichista como diria marx, baseado na pressão do capital financeiro sobre a produção.

eis o que diferencia a linha de produção fordista, onde o capital é reinvestido em novas unidades fabris, do sistema dos acionistas, onde toda essa lógica é alterada pela informatização, pelo controle do trabalho, e pela “externalização”, que é a chamada reestruturação das companhias, que se desfazem das atividades de baixo valor agregado, terceirizando serviços. daí surgem os contratos temporários de trabalho, o salário associado a metas e todas outras formas despóticas de apropriação da força de TRABALHO.

são notórios os efeitos dissolventes sobre o coletivo da classe trabalhadora, os sindicatos. as empresas desta nova economia são, por natureza, anti-classistas.

é esse o ponto aonde quero chegar: os focos de resistência dos trabalhadores ganham extrema importância diante da crise capitalista atual, posto que colocam em xeque esse regime de acumulação.

as tendências cíclicas das crises, em especial esta pela qual vivemos hoje, dada sua importância e ineditismo, abrem possibilidades igualmente inéditas de retomada das lutas de classes.

trotsky anteviu que os trabalhadores, num primeiro momento de agudização destas crises cíclicas, assistem primeiramente de forma passiva os efeitos da crise, depois passam à ação. tem-se a oportunidade de retomada das lutas sociais, associada ao baixo crescimento da economia.

retomemos marx e os princípios da capitalização.

sabemos que o valor das ações de uma empresa é o valor presente mais o seu lucro esperado, considerando-se uma taxa de juros média entre 6 a 7 % a.a.
essa financeirização do sistema se torna mais evidente quando consideramos que o estoque da riqueza financeira, que vem a ser as ações, títulos de dívidas etc. aumentou em quinze vezes no intervalo entre os anos de 1980 a 2006, ao passo que o pib mundial se quintuplicou no mesmo período.

o fluxo de renda real, a lógica da valorização financeira sobre o trabalho fica mais evidente quando analisamos os grandes grupos econômicos, as holdings, e seu território global de destruição e a gestão centralizada do capital-dinheiro.
cada empresa deve ser uma “central de lucro” e gerir suas operações de caixa: capital de giro, financiamento da produção e estoque de divisas. cada empresa busca, no mercado financeiro, de cinco a dez vezes mais do que suas necessidades reais de produção.

e eis que a crise chega ao big money, gigantes do mercado brasileiro, players do mercado internacional, como a sadia, a votorantim, a aracruz papel e celulose. por quê?
como esses mercados futuros antecipavam suas vendas, investem na taxa de juros, e com a desvalorização do dólar ante ao real, quebram os valores desses ativos fictícios, arrastando consigo fundos, seguradoras e até mesmo os bancos, embora no brasil a situação dos bancos seja um pouco diferente.

em suma,

estamos diante de uma crise que é a somatória de todas as crises recentes do capitalismo, inclusive a crise das bolsas de 1987, a crise das moedas dos anos 90, a crise das empresa pontocom de 2000 e 2001, e a crise maior das bolhas de especulação imobiliária no centro nevrálgico do sistema capitalista de 2007. esse cenário abre espaço para a retomada das posições vanguardistas da esquerda, ou senão teremos a reação em sentido contrário, ou seja, um álibi para a direita manter a aprofundação de cortes em gastos sociais, menos investimentos do poder público, altas taxas de juros, superávits primários, etc.

a magnitude dessa crise se revela nos setecentos BILHÕES de dólares que o tesouro norte-americano injetou em instituições à beira da falência, devidamente aprovados pelo congresso. na união européia, esse montante chegou a 1,9 TRILHÃO de dólares, e na China, 580 BILHÕES. não é todo dia que se vê isso: essa crise se revela decorrente do ciclo de crescimento experimentado por diversas economias entre 2002 e 2007, que foi uma resposta à crise das empresas pontocom em 2001. houve um crescimento das economias mundiais baseado no endividamento dos estados unidos da américa.

em 2002, lares norte-americanos consumiam a quase totalidade da produção das empresas norte-americanas instaladas na china. com o aumento de preços das commodities, como a soja, e a especulação dos mercados futuros e os derivativos, toda essa engenharia financeira ruiu. explodiu a bolha imobiliária e os títulos sub-prime do sistema hipotecário norte-americano, e com ele, todo o sistema bancário dos eeuu, do reino unido e da espanha, principalmente.

nos anos 80, reagan, tatcher e joão paulo II evidenciaram mais do que nunca essa dicotomia entre capital x trabalho. foram criadas todas as condições para o livre trânsito do capital em todas as partes do globo, em contraposição à supressão da garantia de direitos trabalhistas e previdenciários mundo afora, em resposta a crise mundial do petróleo dos anos 70.

nos anos 90, a ofensiva neoliberal ganha novo impulso com abundãncia de mão-de-obra barata na rússia, no leste europeu e na china, que gerou enorme pressão sobre a classe trabalhadora a nível mundial. nesse caso, os grandes ganhadores foram os eeuu: um por cento da população norte-americana mais rica detinha oito por cento do pib ianque em 1970, e essa porcentagem passou para dezessete em menos de vinte anos. suas empresas transnacionais lucraram fartamente como nunca com taxas de lucro no estrangeiro.

então chegamos ao paradoxo principal deste sistema: temos um capital fictício reproduzindo mais capital fictício, e não poderíamos viver essa ficção eternamente, pois isso gera os desequilíbrios que vêm à tona com a atual crise.

as leituras que a esquerda faz desta crise são as mais díspares. alguns são levados a crer que, com seu crescimento, a china assume o papel que cabia aos eua.
mas a renda per capita chinesa é a centésima do mundo, e seu pib corresponde a 6% do pib mundial, numa economia caracterizada por sua baixa produtividade.
o desafio seria reverter sua produção ao seu mercado interno, e essa foi a medida baixada pelo governo do pc chinês para tentar conter, em vão, a crise de superprodução.
seu grande consumidor, os eeuu, têm grandes perdas acumuladas no mercado mundial, e como a china é a maior detentora de títulos da dívida pública norte-americana, tem-se uma recessão generalizada.

e aonde ela vai chegar?

vejamos.

traçando um paralelo com a crise dos anos 30 do século passado, vê-se que esta foi um processo decorrente de uma depressão maior, de contradições profundas do capitalismo, e que só foi se resolver, para os eua, no final da segunda guerra, com a destruição maciça de capitais.

nada poderia explicar essas crises depois de grandes triunfos do capital, que conseguiu seu intento de subjugação de novos territórios, de depreciação da força de trabalho mundo afora: fica evidente a lógica destruidora do sistema capitalista.

e que gera, neste momento, uma inquestionável redução do papel dos estados unidos e seus organismos – onu, bid, fmi – no contexto geopolítico internacional, e traz à tona a discussão de novas potências regionais num mundo multipolar.

a união européia encontra-se igualmente desnorteada. sarkozy apostava na recuperação da frança diante da europa e do mundo, mas seu discurso gaulista enfezou angela merkel, que vê na atual crise a possibilidade de ascensão econômica germânica. do mesmo modo, no mercosul, a argentina teme a invasão de produtos brasileiros que acabem com sua indústria no caso de uma superdesvalorização do real, e essa é a lógica de funcionamento do capitalismo.

em épocas de grandes crises, a competição torna-se ainda mais exacerbada, e a quebra do lehman brothers e da mega-seguradora aig nos mostra que os lobos comem as ovelhas, e quando se acaba a última das ovelhas, os lobos passam a comer os próprios lobos.

podemos concluir, então, que a china é débil demais para substituir os eua. mas china e japão têm suas armas, que são reservas em bônus do tesouro norte-americano, que agora ninguém quer. essa grande crise de confiança dos mercados não vai, por si só, trazer novas revoluções.

por outro lado, vale a pena frisar que as massas não permanecerão inativas. lembremos que a crise dos mercados asiáticos trouxe consigo a indignação popular que culminou com a queda do sanguinário ditador suharto, na indonésia. a crise cambial argentina em 2001 mobilizou diversos setores da classe média, las madres de la plaza de mayo, trabalhadores e piqueteros e a sociedade civil organizada protagonizou diversas ocupações de fábricas e edifícios públicos, panelaços, apitaços, retomadas de indenizações de presos e desaparecidos políticos e o diabo. justo na argentina, que durante o governo menem (hoje detido em prisão domiciliar) aplicou o receituário neoliberal exatamente como lhe ordenava o fundo monetário internacional.

foi essa falência do modelo neoliberal que permitiu a chegada de lula ao poder no brasil em 2002, e depois de evo na bolívia, de correa no equador, e dos kirchner na mesma argentina.

e é nesse novo panorama em que se vislumbram possibilidades revolucionárias que eu me sinto particularmente entusiasmado. marx já alertava do estado apropriado pela burguesia para garantir sua sobrevida. e agora cai a grande farsa: não há dinheiro para o acesso universal a um sistema público de saúde (mesmo no centro do sistema capitalista, vide o filme ‘sicko’ de michael moore), nem para o financiamento de moradias, nem para o acesso à universidade pública, mas se tem o equivalente a 70% do pib do brasil para salvar o sistema bancário em bancarrota.

coisas estranhas acontecem, e vão acontecer cada vez mais, nesse sistema putrefato de produção. na argentina, por exemplo, grupos políticos neoliberais promoveram recentemente a estatização dos fundos de pensão, que tinham sido privatizados por facções nacionalistas do peronismo. essas contradições não haverão de passar incólumes pela história, e às novas gerações abrem-se perspectivas revolucionárias. aquela história do fim da história, propagada por fukuyama e outros pensadores regiamente remunerados pelo departamento de estado norte-americano, já era.

cabe-nos lutar por um novo sistema, já que o atual não vai cair sozinho. a emancipação da classe trabalhadora vai ser obra dos próprios trabalhadores, à medida que se tornam patentes as contradições intrínsecas à ordem capitalista e o desmonte do discurso hegemônico, essa ladainha neoliberal assimilada pela classe trabalhadora de que o estado é como uma família, que não pode gastar mais do que arrecada e por isso não pode sequer investir em políticas públicas, repetida infinitamente pelo capitalismo midiático desarticulador.

agora que os economistas burgueses buscam metáforas sísmicas para tentar explicar a crise e justificar a intervenção estatal sobre o livre mercado, chegamos a conclusão que existe tanto capital no mundo que ele se tornou incapaz de se reproduzir por si só, e as medidas governamentais só fazem atrasar ou adiantar a chegada ao abismo.

foi uma crise semelhante na alemanha dos anos 30 que conduziu hitler ao poder.

e é numa crise sem precedentes que obama assume a presidência dos eua, mas a reconfiguração do quadro geopolítico internacional tende a ser mera retórica e a administração democrata na casa branca dar continuidade às desgraças de bush II e suas políticas belicistas e protecionistas para evitar um desemprego ainda maior no centro nevrálgico do sistema.

por fim, quero dizer o seguinte:

as lutas de classes se tornaram mais latentes e evidentes do que nunca. as massas não vão se resignar, não vão deixar simplesmente que os capitalistas joguem sobre suas costas os custos de uma enorme e incomensurável crise, isso é FATO.

devemos então lutar pelo poder popular. ou os trabalhadores organizados tomam o poder, ou essa ordem decrépita de produção capitalista e seus artífices se recompõem, e dois séculos de luta teriam sido em vão.

só há uma saída, embora eu veja uma crise de direção revolucionária contra a hegemonia do capital financeiro global e suas burguesias locais.


Para opinar, entre como "anônimo" que não paga nada

inside

6.11.08

crise nos EUA


http://noticias.terra.com.br/mundo/eleicoesnoseua2008/interna/0,,OI3311646-EI10986,00.html

Michelle Obama troca estilista e vira alvo de críticas
O vestido vermelho e preto que Michelle Obama usou na festa da vitória do marido no Grant Park, em Chicago, não foi feito por Maria Pinto. Para a festa a vitória na madrugada da última quarta-feira, Michelle usou um modelo de Narciso Rodriguez. Mas a mudança não agradou alguns críticos de moda.

O vestido batizado de "Jornada nas Estrelas" - com um estilo "explosão molecular" na frente e com uma faixa cruzada na altura da cintura - veio da nova coleção de primavera 2009 de Rodriguez, um dos mais aclamados estilistas no New York Fashion Week.

No entanto, é possível que dois componentes do figurino tenham atrapalhado um pouco o "look" da nova primeira-dama. Na opinião de alguns críticos de moda dos EUA, o corpete "parece ter alongado muito sua silhueta, e o cardigan preto, usado por cima do vestido", segundo Wendy Donahue, crítica de moda do jornal Chicago Tribune.

Redação Terra

Para opinar, entre como "anônimo" que não paga nada

inside